7 horas de reunião pedagógica

27 jul

Todo começo de semestre as mesmas coisas: reunião pedagógica e discussões.

Na escola em que estou as discussões são muito intensas e os confrontos de ideias fazem com que possamos refletir bastante enquanto profissionais atuantes.

Certo que tem gente que mais escuta do que fala, tem gente que dorme, até tira os sapatos, mas essas reuniões têm sido muito produtivas e no final das contas os benefíciados são os alunos.

Na reunião acontecida ontem, tivemos a presença de um diretor de uma escola da região. Ele foi nos mostrar como são calculados os índices do IDESP.

O seu discurso, cheio de contradições entre reflexão e ação efetiva, mostraram que ele certamente tem um domínio muito grande dos trâmites legais, pedagógicos e burocráticos da rede estadual de ensino paulista, porém deixou transparecer uma personalidade um tanto exibicionista e convencionalista. Uma pessoa carismática e diplomática que sabe muito bem articular as palavras para agradar a tdos.

Peo menos agora a gente sabe muito bem o que o nosso governo quer.

A conta é a seguinte: defasagem de português para poder calcular o indice de desempenho na matéria. A conta é feita mutiflicando os dados obtidos pelos alunos em cada um do níveis. Abaixo

Dfs= 3.AB + 2.B + 1.Ad + 0.Av

100

ID= (3 – defasagem) .10/3
O que der no ID x o índice de fluxo (retenção e evação) vai dar o valor do IDESP de cada uma das matérias
Para calcular o IDESP da escola:
IDESP = Idesp(LP) + Idesp (Mat)/2

Simples, né? Agora que eu estou escrevendo aqui é que fui entender

…… Não adianta ter gente no avançado, pois elas não contam em nada pro indice. E também não adianta nada ter ótima nota de prova, mas reprovar pra caramba (caso da minha escola), pois a nota do IDESP cai consideravelmente.

Certo, agora que entendemos essa matemática doida, vamos ver como damos conta da aprendizagem desses alunos.

Depois de mais de duas horas com a bunda pregada na cadeira o povo precisava de um descanso e nossa diretora mostrou-nos a pauta que seria discutida depois do café.

Professor é uma raça morta de fome só consegue pensar de barriga cheia, então fomos ao café.

Eu fui obrigada a ir em casa colocar um blusa e meia, pois estava esfriando e minha roupa já não estava apropriada pra temperatura. Fora que estava com uma calça de cintura baixa e que quando sentava deixava a mostra o reguinho da bunda. O povo não perdoa e já estavam quase jogando moeda no meu cofrinho. Até que mudei pra uma cadeira com encosto fechado.

O que se deu depois do café foi uma reorganização de ações, com enfoque para a recuperação paralela que é feita com os alunos que passaram só por causa da progressão continuada. Estipulamos que entregaríamos atividades bimestralmente aos pais que seriam convocados toda segunda semana do mês para acompanharem o trabalho pedagógico realizado com seus filhos.

Essa recuperação paralela só tem surtido efeito em poucos alunos. Só eu que tenho quase todas as sextas séries de inglês da escola dos 60 alunos que deveriam fazer tenho 10% deles entregando as atividades. Os outros mal dão conta do que é passado em sala de aula, infelizmente, não conseguem acompanhar o ritmo da série seguinte, fora os próprios responsáveis que não estimulam e insentivam uma participação maior deles em sala de aula.

Agora quanto os trabalho coletivos:

Foi simplismente um fiasco separar por área para que eles sejam apresentados nas reuniões de pais. O segundo bimestre ficou a cargo da área de linguagens, códigos e suas tecnologias e o tema era sexualidade.

Poucos professores da área se envolveram, outros fizeram apenas trabalhos em sala de aula. Outros deram uma de jõao sem braço e deixaram passar mesmo. Tem uns que nem ficaram sabendo, pois não fazem htpc e também não participaram do planejamento.

Eu sempre sou muito atuante nesses tipos de atividade, então me engajei para poder apresentar algo. Trabalhei com minha 8E artigos publicitários em inglês e sairam coisas boas, também tive ajuda da professora de artes. Com os terceiros anos do noturno nós trabalhamos a sexualidade vista nos diversos gêneros: quadrinhos, propaganda televisiva, impressa, nas músicas, nos contos de fadas. Sairam seminários excelentes, porém com exceção de mais uma professora de português do ensino fundamental nenhum outro professor apresentou nada na reunião dos pais.

Chegamos a conclusão de que não funciona, que poucos se envolvem e por ser um grupo menor os “buracos”, como eu mesma disse neste replanejamento, ficam muito mais evidentes.

Após uma reflexão sobre o assunto optamos por voltar a fazer o MPB, que é um projeto maravilhoso, a cara da escola. Pesquisa de compositores e estudo de letra de música inseridos dentro de um contexto histórico cultural com apresentação artística delas pelos alunos. Não chega a ser uma competição, mas os alunos são excelentes em suas perfomances, dão show.

Ficaram definidos dois temas: a era dos festivais e músicas regionais.

Outro ponto de intensa discussão foi o provão e os critérios de elaboração e aplicação das provas.

Ficou acertado de haver capacitação nos hptcs para que haja uniformidade e critérios que devem obedecer mais ou menos ao que se pede no SARESP 15% de questões fáceis, 70% de médias e 15% de difíceis.

Viche, estou sendo muito detalhista, talvez tenha que colocar mais como as pessoas reagem e se sentem. No entanto, é preciso mostrar o que se é debatido dentro dessas reuniões. Não é fácil pra uma pessoa hiperativa como eu ficar sentada das 2 horas da tarde às 9 da noite. Eu aciono um mecânismo de abstração: parece que fico lá do alto observando o que acontece de longe. Delá vejo uma professora tentando dar conta de configurar o celular, umas outras conversando sobre o tratamento estético, mas lá atrás tem um profefessor dormindo. Um sussurra para o outro um comentário maldoso, que eu tenho que ser sincera, tem coisas que eu  mesma não aguento. Como o tal diretor que no final da sua explanação terminou falando sobre evolução, passando mensagens, mas bem desconexas. Eu não me segurei….aquela figura a la Jonny Bravo estava recebendo Clodovil.

Deixo aqui minha homenagem ao saudoso Clô extravagante, irreverente, contundente, com esse seu primeiro discursso na Câmara de Deputados em Brasília, 2007

“Digo aos senhores que a única coisa de que tenho medo – já me fizeram muito medo aqui, como estrangeiro que sou nesta Casa – é da expressão ‘decoro parlamentar’. Eu não sei o que é decoro, com um barulho destes enquanto um deputado fala. Eu não sei o que é decoro, porque aqui parece um mercado! Nós representamos o país! Não entendo por que há tanto barulho enquanto um orador está falando. Nem na televisão, que é popular, fazem isso.”

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