Sexo, como é que é?

31 jul

Ainda é o maior tabu falar sobre sexo na sala de aula.

Muitos professores ficam constrangidos ao tratar do assunto, mesmo porque eles mesmos tiveram más experiências relacionadas ao tema.

Eu nunca tive problema algum com isso, nem meus pais. Eles sempre responderam aos meus questionamentos sem fazer rodeios. Eu também sempre fui muito curiosa e desde cedo já estava mexendo nos livros de biologia que eu encontrava e lia tudo a respeito.

As informações estavam à disposição a qualquer hora do dia e da noite, pois fomos cercados por livros e revistas na infância. Não existia computador naquela época. Embora existisse o vídeo game Atari e eu e meus irmãos éramos e somos ainda hoje fissurados por vídeo game. Naquela época, década de 80, tinha uma fita que todo mundo queria chamada X-man.

Nesse jogo um homem corre pelado dentro de um labirinto tentando fugir de uma tesoura que lhe persegue para lhe cortar o pinto. Chegando ao final do labirinto eis então o prêmio: a cada fase terminada uma mulher o espera para realizarem uma posição sexual diferente.

Hoje eu já não sei se tem algum jogo de PS2/3 ou Xbox ou qualquer outra plataforma que tenham esse apelo sexual, mas deve haver.

Não importa a idade, se você quiser prender à atenção do seu aluno fale com ele sobre SEXO.

Foi assim há dois meses quando falei sobre Funk no terceiro médio e aconteceu agora com a sétima sério quando falei sobre as mudanças típicas pelas quais passam os adolescentes.

Eu não sou professora de Ciências, mas dei uma introdução básica sobre os aspectos biológicos que causam as mudanças no corpo e expliquei de maneira bem simples como essas mudanças afetam o psicológico da galera.

Eu disse que quando os meninos têm as primeiras ereções eles nem sabe direito o que é, pensam até que estão com vontade de fazer xixi. Todo mundo começou a dar risada. Eu então perguntei se eu estava falando alguma bobagem, pois eu não era menino. Eles meio sem graças confirmaram que eu não estava.

Depois de quase 50 minutos conversando sobre o assunto no nosso aquecimento, passamos para a leitura do texto: Eu, adolescente, tô fora?

O grande problema da leitura foi ouvi-los, pois no lava rápido em frente à escola havia um carro com uma caixa de som daquelas de competição no talo tocando música. A minha vontade foi gritar lá da janela: ABAIXA ESSA MERDA! Só que entre pensar e fazer tem uma grande distância.

Esta minha sala é fogo! Eu tenho uma estratégia, sempre respondemos oralmente as atividades e eu peço para que eles façam os exercícios em casa porque na sala de aula é impossível. Eles conversam demais, não se concentram, se perdem, demora demais e eu perco a paciência.

O assunto rendeu e sei que por mais informações que temos a disposição na atualidade ainda há muitas dúvidas na cabecinha deles. Como eles morrem de vergonha de se exporem vou levar uma caixa para que eles coloquem as dúvidas e nós possamos discuti-las posteriormente. A Nancy é quem sempre faz assim, mas desta vez ela não está com as sétimas séries, então, vou usar a idéia dela. Certamente algumas perguntar eu não vou saber responder, principalmente se tratarem de questões biológicas. Neste caso vou perguntar pra Nancy mesmo ou dou uma olhada na internet.

A maior dificuldade dos professores é não admitir que não sabe, que precisa de ajuda. Como diz minha diretora, descer do pedestal… Eu nunca tive problema em perguntar e também dizer que eu não sei determinado aspecto que me foi perguntado. Eu não sou Deus! O único problema é dar informação errada.

Terminei minha participação como professora de inglês no M.A.R na 6ªD. Não fiquei triste, acho que foi missão cumprida. Eu que não gostava de dar aulas de inglês acabei me apegando, principalmente por causa dos alunos da escola. Só me apertou o coração a 6ªC que fez uma declaração com tanto carinho que eu até chorei. Tem salas que são mais carinhosas do que outras. Eles ficaram tristes porque eu iria deixá-los, mal sabem eles que é a única turma de regular que eu vou ficar por causa do curso que faço na PUC e sou obrigada a ter sala de ensino regular de inglês atribuída para ter o diploma.

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3 Respostas to “Sexo, como é que é?”

  1. Mia 31/07/2010 às 11:34 PM #

    Senti grande injustiça de somente o X-man ser lembrado nesse post e resolvi fazer uma busca no pack de roms de atari que tenho guardado. No levantamento, descobri que os jogos com “temática adulta” são da empresa PlayAround, que havia comprado os direitos dos títulos de outra empresa, a Mystique. Não podemos deixar de pontuar aqui, outros jogos do Atari com personagens peladinhos, todos do ano 1982, antes mesmo de eu nascer [jeje]:

    Bachelor Party
    Beat ‘Em & Eat ‘Em
    Burning Desire
    Custer’s Revenge
    Knight on the Town
    Lady in Wading (1982) – (versão feminina do knight on the town)
    Philly Flasher (1982) – (versão feminina do beat ‘em & eat ‘em).

    Para os nerds e geeks de plantão: http://en.wikipedia.org/wiki/Playaround

    Saludos!

    Mia

    • Shirlei Cunha 31/07/2010 às 11:42 PM #

      Eu sei que de Atari tem outros jogos com temática sexul, mas os safadinhos da época só falavam do tal Xman, hihi.

      • Mia 31/07/2010 às 11:57 PM #

        Jejeje: claro que você sabe disso!!
        Afinal, é justamente de nós que você fala em “Embora existisse o vídeo game Atari e eu e meus irmãos éramos e somos ainda hoje fissurados por vídeo game”! LOL

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