Educação sexual: ainda há tabu nas escolas?

6 ago

Hoje me diverti muito na aula que tive na 7ªA.

Apesar de ter proposto a eles um debate quase foi um monólogo.

Angariei as perguntas durante a semana e coloquei-as dentro da caixa de sapatos. Até pensei em sentar e ler e pesquisar, mas queria que fosse surpresa para mim também.

Já falei que sexologia não é muito a minha praia, porém eu tenho certa facilidade com a temática. Tudo o que é polêmico eu estou no meio. Antes até de comentar a atividade feita com o ensino fundamental preciso, necessito falar sobre a mais nova celeuma na Educação: “Os Cem melhores contos brasileiros do século”. Uma coletânea feita pelo professor Italo Mariconi que seleciona pautado pela qualidade de produção os contos de diversos autores que estão compreendidos entre o 1900 e 1990. Temos nomes como: Lima Barreto, Clarice Lispector, Graciliano Ramos, Carlos Drummond de Andrade, Dinah Silveira de Queiroz, J.J.Veiga, Rubem Fonseca, Ana C. César, Otto Lara Resende, Fernando Sabino, Hilda Hilst, Dalton Trevisan, Moacyr Scliar, Lygia Fagundes Telles, Victor Giudice, João Antônio, Luiz Fernando Veríssimo, Raduan Nassar e Nélida Piñon, entre outros.

Esse entre outros que eu não mencionei propositalmente se refere a Ignácio de Loyola Brandão. Um excelente observador de seu tempo e dos fatos históricos e sociais os quais analisa em suas obras.

Obscenidades para uma dona de casa foi o conto que causou um frisson na galera. Logo que eu cheguei á escola a coordenadora me pede para ler: “Num quarto cheio de espelhos, para que você veja como trepo gostoso em você, enfiando meu pau bem no fundo.” E mais: … “Queria te ver no sururu, ia te pôr de pé no meio do salão e enfiar minha pica dura como pedra bem no meio da tua racha melada, te fodendo muito, fazendo você gritar quero mais, quero tudo, quero que todo mundo nesta sala me enterre o cacete.”

“…Isso é pior do que o Jorge Amado do ano passado. Como é que o Governo manda isso para os alunos lerem? É muito pesado. Nem eu fiz isso ainda. Se uma pessoa vai até a loja comprar e ler escondido é uma coisa, mas é o mesmo que eu vir na sala de aula e dar uma Playboy pro meu aluno ler. Me explica como é que um professor pode trabalhar isso em sala de aula?…”

Foram esses os comentários que eu ouvi e tenho ouvido até hoje.

O meu vice diretor, então…viche! A minha diretora ainda quis amenizar a situação e eu tentando explicar que não poderíamos ler só trechos isolados, tudo o que foi escrito tem uma intencionalidade, vai ver era uma dona de casa reprimida, ou então como aquelas nossas alunas que escrevem bilhetes pra si mesmas dizendo que são putas, piranhas, galinhas.

Já cheguei no 3ºD pedindo para que eles lessem o conto da página 471 para podermos discutir a questão do tema sexualidade na literatura. Tem que desmistificar, senão vira algo proibido e sabe como é desinformação e ignorância sempre vem atrelado ao que se proíbe muito.

Ninguém me emprestou o livro pra eu ler. Fui na internet e achei o conto…

Batata! Era o que eu havia imaginado: uma dona de casa, toda cheia de pudores, mas por dentro louca pra se libertar deles. Ela recebe cartas de um homem com conteúdo obsceno só que pasmem é a própria dona de casa que escreve e as envia pra si mesma. Muito ótimo! Dá um trabalho de psicologia e filosofia excelente! Eu gostei bastante do enfoque dado pelo autor. É um retrato bem delineado de algumas mulheres em nossa sociedade.

Decepcionaram-me. Pensei que fosse algo a La Bruna Surfistinha…hahahahha.

Falou em sexo…lá vem piadinhas, risinhos, vergonha. Não sei se fui educada vendo isso como sendo algo natural ou se é da minha naturalidade ser despudorada mesmo!

Fiz um semicírculo na sala, pedi para que os alunos se sentassem e ditei as regras: cada um falando por vez, nada de gracinhas, justifique sua opinião. Tentei deixá-los à vontade, dizendo que todos estavam ali para aprender, que mesmo eu não sabia tudo sobre o assunto.

Inevitável o riso, inevitável a piadinha, mas aos poucos eles foram se soltando e por intermédio de uma única aluna que se pronunciou tiveram algumas de suas dúvidas esclarecidas.

Eu me senti super bem, e as duas aulas foram pouco para responder tudo o que estava dentro da caixa de sapatos.

Ainda há tabu quando se fala sobre sexo. A religião é forte nesse sentido e ainda se aliarmos à ignorância da população a situação fica pior. Vai demorar a igualdade de gêneros, vai demorar pra rompermos definitivamente essa barreira.

Que bom que não estamos numa ditadura. A escola deve falar sobre todos os assuntos. Informar, esclarecer, orientar. Ela dá ao aluno a luz. O cidadão que se forma tem que ser capaz de utilizar os conhecimentos adquiridos em todos os aspectos de sua vida. Ele deve ter em mente que suas ações tanto o podem levar par o sucesso quanto para o fracasso.


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