Um passeio para lá de cultural

21 ago

A Bienal do Livro é um evento que acontece em São Paulo desde 1970 com o objetivo de incentivar a prática da leitura entre crianças, jovens e adultos. Essa feira tem caráter internacional, reunindo as publicações das melhores editoras brasileiras e estrangeiras. A Bienal representa uma manifestação  cultural no Brasil e está sempre servindo de cenário para o lançamento de grandes obras literárias.

O projeto para a criação da Bienal iniciou-se na década de 50 com uma feira de livros em praça pública na cidade de São Paulo. No entanto, a 1ª Bienal Internacional do Livro foi oficialmente realizada no início da década de 70 e contou com centenas expositores. O número de editoras convidadas para participar do evento cresceu com o tempo e fez da Bienal o melhor meio para se divulgar as novidades da literatura moderna.

Este ano acontece a 21ª edição do evento no pavilhão de exposições do Anhembi aqui em São Paulo.

Lá na escola me perguntaram se eu iria ao evento, mas como eu tenho aversão a lugares cheios de cara disse que não iria. No entanto, resolvi arriscar e no dia da minha folga eu dei um pulinho lá.

Professores e profissionais do setor entram gratuitamente só que a cabeçuda aqui esqueceu de levar o hollerit. Paguei R$ 10,00 para entrar no evento.

A minha sorte foi que na terça à noite estava bem vazio. Eu andei pelo corredores livrimente, olhei estande por estande ganhei alguns brindes de homens porque mulher não dá nada de graça pra outra mulher, oh racinha…

Eu estava interessada em ver livros sobre educação, quadrinhos, esotériocos e livros espíritas. Parei na Editora Madras e me apaixonei. Essa editora é especializada em livros sobre religião, maçonaria, ocultismo, mas eles deram uma diversificada partindo para o ramo da educação e também de biografias.

Não deu tempo de ver tudo e ainda me programei para voltar outro dia da semana e comprar alguns títulos que com 5 a 10 reais você encontra livros bem interessantes.

Quando chego para dar aula não é que eu descubro que a escola iria organizar uma excursão para a Bienal. Já pedi para me incluirem.

Foi um sucesso! Lotamos 5 ônibus. Quase pau a pau com as excursões ao PlayCenter.

Hórus: um gatinho muito alegre, meigo e brincalhão.

O problema foi que eu não pude ir com eles, pois um dos meus gatinhos, o Hórus, ele ficou muito mal a semana inteira e eu tinha que levá-lo ao veterinário para tomar soro, mas me comprometi em ir de metrô e voltar com os alunos, pois volta de excursão sempre é muito complicada.

Eu cumpri com o que havia acordado e fui.

Agora pense num lugar lotado, num shopping center véspera de Natal, feira livre, 25 de março???

Impossível andar dentro do local sem esbarrar em alguém. Era o último dia de agendamento para as escolas, então o lugar estava repleto de alunos.

A única coisa que ajudou era que não estava muito quente e isso amenizou demais o desconforto.

Já fui a várias excursões de escola, tanto como aluno como quanto professora. Dependendo do passeio há formação de grupos, a visita é monitorada, mas há lugares em que eles podem andar à vontade e explorar o ambiente. Pela faixa etária, local e quantidade de alunos, foram mais de 200, eles poderiam ficar soltos e olharem o que quiserem.

O único problema é na hora de reunir para voltar. Ordem e comunicação devem ser fundamentais nesta etapa.

Quando eu cheguei logo que me deparei com um aluno da escola já perguntei que horas nós iríamos embora e onde era para nos encontrarmos.

Deu tempo de voltar na Madras e comprar dois livros Inteligência Emocional na sala de aula e Tarot Mitológico. Comi bola por não ter levado 2 livros do Chico Chavier que estavam por cinco reais e substituir os que eu tenho que estão caindo aos pedaços.

Encontrei um grupo de alunas da minha sétima série e ficamos juntas. Só que quando eu parei pra falar com um outro aluno elas foram caminhando na frente e coisa de segundo as perdi no meio da multidão, só pra ter uma ideia de como é que estava.

Na hora e local combinados estava eu lá.Só que nem metade dos alunos estavam. Ficamos 15 minutos além esperando reunir uma boa turma. Tinha gente que estava esperando que anunciassem a saída da escola pelos autofalantes, mas a nossa coordenadora não conseguiu que isso acontecesse.

Saimos por um portão nos mandaram para outro. Com isso perdemos uma turma. Ninguém sabia de nada. Tinha aluno ainda andando displicentemente pelo pavilhão.

Meia hora depois

Estávamos em frente ao estacionamento no sambódromo. Ainda faltavam alguns alunos.

Os ônibus não podiam parar na avenida e ficar esperando, pois era local proíbido e corriam o risco de tomarem multa. Então os motoristas apressaram a gente, ainda por cima tinha um deles que disse que tinha que fazer outro serviço e não podia chegar atrasado. Teve uma aluna que teve que pegar o ônibus com ele andando.

Eu ainda não sei o nome da empresa, mas vou pegar os dados com a coordenação e postar aqui para ninguém mais contratá-la.

O pior de tudo foi um dos motoristas ter saído com o carro sem a presença de um professor sequer dentro. Esse foi o maior absurdo que eu vi nos meus 13 anos de magistério.

1 hora depois…

Chegaram dois dos cinco ônibus na escola. Quando um dos pais ficou sabendo que o ônibus veio sem professor ficou uma fera e com razão, mas isso não foi culpa nossa. É claro que faltou um pouco de organização dos professores e um problema foi se sobrepondo a outras falhas.

Planejamento e Organização: quando se realizam trabalhos extra classe deve-se planejar com antecedência certos detalhes que extrapolam o controle da escola. A empresa contratada para levar os alunos tem que ser idônea e respeitar o compromisso assumido com a escola. Se eles trabalham para escola sabem que sempre ocorrem atrasos e devem trabalhar só para atender a escola naquele momento.

2 horas depois

O último ônibus veio entupetado de aluno, pois os professores ficaram lá até recolherem o último aluno de dentro do pavilhão de exposições. Aqueles que não foram em seus respectivos ônibus vieram neste e chegaram à escola muito mais de 6 horas da tarde. Os pais já se descabelando e quase mantando a direção.

Eu já havia cumprido a minha missão. Fui buscar meu Hórus que havia ficado internado tomando soro. O coitadinho teve que desobistruir o canal da urina novamente e eu não fui para escola de novo, mas desta vez deu até para fazer uma troca já que eu passei o dia de aula neste trabalho extra classe.

Planejamento e organização resolvem tudo e evitam descontroles desnecessário. Falhas sempre têm principalmente quando lidamos com grande quantidade de pessoas. Os alunos são meio cabecinha avoada e não se dão conta de muitos deltalhes e cabe a nós pensarmos por eles.

No caso do passeio o professor deveria:

  • antes conhecer o local,
  • se certificar das condições de acomodação,
  • verificar a questão de  alimentação,
  • valores: pagar na hora ou antecipadamente,
  • pensar em estratégias de como organizar os alunos no local,
  • preparar a turma antes com uma prévia do que irão ver,
  • explicar a eles como devem se comportar no ambiente.

Quanto maior o panejamento mais segurança temos. Imprevistos acontecem, acidentes também…

Nunca mais vou me esquecer do dia em que voltei de uma excursão ao SESC Itaquera escoltada pela polícia. Os alunos quebraram os vidros do ônibus à pedrada, uma dessas pedras acertou uma aluna que foi parar no pronto socorro. Tudo porque uma galera que tinha ido por fora queria voltar no ônibus da escola de qualquer jeito.

É, né? São situações que fazem parte da rotina de uma professora de letras. Acontece, né?…

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: