O Cortiço–Análise de leitura

22 out
Português: O escritor brasileiro Aluísio Azeve...

Português: O escritor brasileiro Aluísio Azevedo (1857-1913) (Photo credit: Wikipedia)

Instruções:

  • Copie as questões em um processador de texto ex. WORD
  • Responda as questões em sua sequência
  • Salve o texto com se primeiro nome, número  e série, como no exemplo: shirlei_35_2F_trabalho
  • Envie o documento para o emai: fessorinhashi@hotmail.com
  • download do livro: O Cortiço-Aluísio Azevedo (clique na imagem)
  • Data limite: 26/11/2012

1. O Naturalismo desenvolveu-se paralelamente ao movimento Realista, sendo uma espécie de Realismo que carregado nas tintas. Nem por isso deixou de dar origem a obras de grande valor, apesar de – no Brasil – primar pela mediocridade.
Influenciado pelo desenvolvimento das ideias científicas na época, especialmente na área das ciências biológicas e sociais, o Naturalismo tentava explicar de forma materialista ou científica os fenômenos da vida e do comportamento humano.

As obras naturalistas são também chamadas de romances de tese: apresentam um ponto de vista e tentam demonstrá-lo através dos fatos narrados. Em geral, focalizam o lado patológico dos indivíduos ou da sociedade, ou seja, as piores situações sociais, as taras humanas, vistas como consequências da hereditariedade, de doenças, vícios, má formação do caráter e das relações sociais.

A caracterização das personagens de O cortiço é feita de forma detalhada e caricatural, com o recurso do expressionismo. Botelho, por exemplo, é
comparado a um abutre. É importante lembrar que o protagonista da obra é o próprio cortiço e a antagonista,a miséria.

No livro O Cortiço temos um belo exemplo de obra naturalista abordando os mais diversos tipos humanos. Cite os personagens que representam

Homossexualismo
Burguesia
Prostituição
Adultério
Ambição

2. Leia o seguinte comentário a respeito de O Cortiço, de Aluísio Azevedo:
“Com efeito, o que há n’ O Cortiço são formas primitivas de amealhamento*, a partir de muito pouco ou quase nada, exigindo uma espécie de rigoroso ascetismo inicial e a aceitação de modalidades diretas e brutais de exploração, incluindo o furto (…) como forma de ganho e a transformação da mulher escrava em companheiramáquina.(…) Aluísio foi, salvo erro meu, o primeiro dos nossos romancistas a descrever minuciosamente o mecanismo de formação da riqueza individual. (…) N’ O Cortiço [o dinheiro] se torna implicitamente objeto central da narrativa, cujo ritmo acaba se ajustando ao ritmo da sua acumulação, tomada pela primeira vez no Brasil como eixo da composição ficcional.
(Antonio Candido, De cortiço a cortiço. In: O discurso e a cidade. São Paulo: Duas Cidades, 1993, p. 129-3.)
*amealhar: acumular (riqueza), juntar (dinheiro) aos poucos
a) Explique a que se referem  as modalidades diretas e brutais de exploração que  a personagem emprega emprega.
b) Identifique a “mulher escrava” e o modo como se dá sua transformação “em companheira-máquina”.

3. Assista ao video e responda o que se pede.

Análise literária O Cortiço–Aluísio Azevedo

Que diferenças são destacadas entre os personagens do Romantismo e do Naturalismo?

4.Zoomorfismo
Do ponto de vista mais genérico e amplo, as personagens do romance são designadas como animal ou besta; afinal, suas existências se resumem a “comer,
dormir e procriar”. O gosto naturalista pela fisiologia acentua esta concepção da vida, limitada ao sexo e à nutrição, sem espaço para as atividades do espírito. São formas de tratamento que indiciam a irracionalidade da espécie humana, reduzida que é aos instintos. Como forças brutas, só podiam servir para a exploração. Retire do livro dois  excertos  ilustram tal procedimento.

5. O espaço em que se constrói a hospedaria popular de João Romão se situa no bairro de Botafogo e, aparentemente, Azevedo idealizou um cortiço um pouco mais espaçoso do que os que são vistos em fotos e gravuras da época. No entanto, os locais sitados descrevem perfeitamente a estrutura da sociedade brasileira do século XIX.

Identifique  no google maps os espaços percorridos por Jerônimo após a emboscada a Firmo.

“Chovia agora muito forte. Só pararam no Catete, ao pé de um quiosque; estavam encharcados; pediram parati e beberam como quem bebe água. Passava já de onze horas.
Desceram pela Praia da Lapa*; ao chegarem debaixo de um lampião, Jerônimo parou suando apesar do aguaceiro que cala.
— Aqui têm vocês, disse, tirando do bolso as quatro notas de vinte mil-réis. Duas para cada um! E agora vamos tomar qualquer coisa quente em lugar seco.
— Ali há um botequim, indicou o Pataca, apontando a Rua da Glória.
Subiram por uma das escadinhas que ligam essa rua à praia, e daí a pouco instalavam-se em volta de uma mesa de ferro. Pediram de comer e de beber e puseram-se a conversar em voz soturna, muito cansados.
A uma hora da madrugada o dono do café pô-los fora. Felizmente chovia menos. Os três tomaram de novo a direção de Botafogo; em caminho Jerônimo perguntou ao Pataca se ainda tinha consigo a navalha do Firmo e pediu-lha, ao que o companheiro cedeu sem objeção.”

*atual Aterro do Flamengo

6.“Noventa e cinco casinhas comportou a imensa estalagem.
Prontas, João Romão mandou levantar na frente, nas vinte braças que separavam a venda do sobrado do Miranda, um grosso muro de dez palmos de altura, coroado de cacos de vidro e fundos de garrafa, e com um grande portão no centro, onde se dependurou uma lanterna de vidraças vermelhas, por cima de uma tabuleta amarela, em que se lia o seguinte, escrito a tinta encarnada e sem ortografia: ‘Estalagem de São Romão. Alugam-se casinhas e tinas para lavadeiras’. As casinhas eram alugadas por mês e as tinas por dias: tudo pago adiantado. O preço de cada tina, metendo a água, quinhentos réis, sabão à parte. As moradoras do cortiço tinham preferência e não pagavam nada para lavar.
Graças à abundância de água que lá havia, como em nenhuma outra parte, e graças ao muito espaço de que se dispunha no cortiço para estender a roupa, a
concorrência às tinas não se fez esperar; acudiram lavadeiras de todos os pontos da cidade, entre elas algumas vindas de bem longe. E, mal vagava uma das casinhas, ou um quarto, um canto onde coubesse um colchão, surgia uma nuvem de pretendentes a disputá-los.
E aquilo se foi constituindo numa grande lavanderia, agitada e barulhenta, com as suas cercas de varas, as suas hortaliças verdejantes e os seus jardinzinhos de três e quatro palmos, que apareciam como manchas alegres por entre a negrura das limosas tinas transbordantes e o revérbero das barracas de algodão cru, armadas sobre os lustrosos bancos de lavar. E os gotejantes jiraus, cobertos de roupa molhada, cintilavam ao sol, que nem lagos de metal branco. E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa, começou a minhocar, a esfervilhar, a crescer, um mundo, uma coisa viva, que parecia brotar espontânea, ali mesmo, daquele lameiro, e multiplicar-se como larvas no esterco.”(Aluísio Azevedo. O cortiço, cap. I.)

Em seu livro Mimesis (Perspectiva, São Paulo, 1973), o crítico Eric Auerbach analisa a obra de Émile Zola e levanta os seguintes traços fundamentais para a caracterização de um texto naturalista:
1) pintura literária do puramente sensível;
2) apresentação verdadeira da sociedade;
3) imagem do trabalho popular;
4) quadro típico da classe operária da época;
5) luta entre o capital e a classe trabalhadora;
6) convite a uma reforma social;
7) estilo baixo usado com seriedade;
8) renúncia ao belo agradável;
9) sugestão sensível do feio e do repulsivo;
10) objetividade do relato;
11) visão desconsoladora do homem infeliz;
12) ênfase no embrutecimento da vida;
13) compromisso com a verdade tirânica, ingrata;
14) exagero e simplificação brutal;
15) psicologia materialista.
Selecione, no excerto de O Cortiço, passagens que ilustrem os traços 3, 4, 12 e 13, sublinhando palavras ou expressões que possam confirmá-los.

7.

Jerônimo bebeu um bom trago de parati, mudou de roupa e deitou-se na cama de Rita. – Vem pra cá… disse, um pouco rouco.
– Espera! espera! O café está quase pronto!
E ela só foi ter com ele, levando-lhe a chávena fumegante da perfumosa bebida que tinha sido a mensageira dos seus amores (…)
Depois, atirou fora a saia e, só de camisa, lançou-se contra o seu amado, num frenesi de desejo doído.
Jerônimo, ao senti-la inteira nos seus braços; ao sentir na sua pele a carne quente daquela brasileira; ao sentir inundar-se o rosto e as espáduas, num eflúvio de baunilha e cumaru, a onda negra e fria da cabeleira da mulata; ao sentir esmagarem-se no seu largo e peludo colo de cavouqueiro os dois globos túmidos e macios, e nas suas coxas as coxas dela; sua alma derreteu-se, fervendo e borbulhando como um metal ao fogo, e saiu-lhe pela boca, pelos olhos, por todos os poros do corpo, escandescente, em brasa, queimando-lhe as próprias carnes e arrancando-lhe gemidos surdos, soluços irreprimíveis, que lhe sacudiam os membros, fibra por fibra, numa agonia extrema, sobrenatural, uma agonia de anjos violentados por diabos, entre a vermelhidão cruenta das labaredas do inferno.
Pode-se afirmar que o enlace amoroso entre Jerônimo e Rita, próprio à visão naturalista, consiste
A) na condenação do sexo e conseqüente reafirmação dos preceitos morais.
B) na apresentação dos instintos contidos, sem exploração da plena sexualidade.
C) na apresentação do amor idealizado e revestido de certo erotismo.
D) na descrição do ser humano sob a ótica do erótico e animalesco.
E) na concepção de sexo como prática humana nobre e sublime.

8.

Considere o seguinte excerto de O cortiço, de Aluísio Azevedo, e responda ao que se pede. (…) desde que Jerônimo propendeu para ela, fascinando-a com a sua tranquila seriedade de animal bom e forte, o sangue da mestiça reclamou os seus direitos de apuração, e Rita preferiu no europeu o macho de raça superior. O cavouqueiro, pelo seu lado, cedendo às imposições mesológicas, enfarava a esposa, sua congênere, e queria a mulata, porque a mulata era o prazer, a volúpia, era o fruto dourado e acre destes sertões americanos, onde a alma de Jerônimo aprendeu lascívias de macaco e onde seu corpo porejou o cheiro sensual dos bodes. Tendo em vista as orientações doutrinárias que predominam na composição de O cortiço, identifique e explique aquela que se manifesta no trecho a e a que se manifesta no trecho b, a seguir:

Acesse este link sobre as teorias científicas em que os Realistas e Naturalistas se embasavam. Leia aqui

a) “o sangue da mestiça reclamou os seus direitos de apuração”.

b) “cedendo às imposições mesológicas”.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: