Escolas estaduais de Manaus reabrem e iniciam o experimento de retorno às aulas presenciais

Esta semana (10.08.2020) a rede estadual de ensino de Manaus deu início às aulas presenciais com estudantes de EJA e do Ensino Médio. Segundo a rede o retorno está embasado nos protocolos sanitários de segurança e saúde traçados pelo Plano de Retorno às atividades presenciais.

Segundo matéria publicada na Folha de S. Paulo, o retorno dos estudantes da rede pública estadual acontece com aglomeração e greve de professores. Enquanto isso as escolas municipais seguem paradas.

Com mais de 3,3 mil mortos por Covid-19 e 106 mil casos confirmados Manaus viveu o pico da pandemia entre os meses de abril e maio e é o primeiro estado a liberar as aulas presenciais., começando com as escolas particulares em funcionamento desde de 6 de julho e agora está sendo o primeiro estado a retomar as aulas nas escolas públicas também.

Denúncia enviada para grupos de Whatsapp com o descumprimento dos protocolos sanitários na volta às aulas presenciais nas públicas de Manaus

Em meio a várias denúncias de não cumprimento dos protocolos e com a vistoria do Siteam (Sindicato de trabalhadores em educação do Amazonas) verificando várias irregularidades nas escolas como: falta de álcool gel nas salas, distanciamento inadequado, falta de máscaras e de salas adequadas e ventiladas. O Sindicato de professores de Manaus chamou greve para terça-feira e um grupo de estudantes fixou cruzes em frente à sede do Governo do Amazonas, em Manaus, na manhã desta terça-feira (11) em protesto contra o retorno das aulas presenciais na capital. A orientação do Siteam é que os professores não compareçam às escolas.

Mesmo com todas as medidas e protocolos anunciados e todas as restrições apresentadas pela Secretaria de Educação do Amazonas, na prática, dentro da rotina escolar o processo não é como no livrinho.

Os pais, conscientes dos percalços que a escola pública atravessa, não enviaram seus filhos para a escola e o absentismo foi grande.

Tenho conversado com vários responsáveis que afirmam que preferem que a criança ou o adolescente refaça o ano letivo do que sujeitá-los a serem cobaia de experimento sanitário. Porque é isso que esses jovens estão sendo: cobaias.

Em São Paulo, vitrine brasileira, o retorno que estava previsto para 8.09.2020 foi adiado para outubro. O próprio prefeito de São Paulo afirmou em coletiva que a volta precisa ser com segurança e ser em toda rede, pois grupos de escolas particulares estão pressionando, mas que segundo Bruno Covas não se pode agravar mais desigualdade entre os alunos de uma rede e de outra e ainda enfatizou a precariedade do serviço público “Até hoje, as escolas não conseguiram conter o piolho, como você vai conseguir segurar o vírus do coronavírus?”, questionou Covas.

Nesta terça-feira (11.08.2020) os estudantes de uma escola de tempo integral em Manaus foram dispensados porque uma professora retornou sem sintomas no dia anterior e passou mal à noite. Levada para atendimento médico a suspeita de estar contaminada fez com que a Seduc-Am fechasse a escola e solicitasse a desinfecção do local.

Quantas pessoas mais ela contaminou? Quantas pessoas mais serão contaminadas? Um professor que trabalha em dois cargos vai de uma escola para outra sem tempo de tomar um banho, se está contaminado e usa transporte público, quantas mais contaminará neste percurso?

Nossa educação pública é precária em muitos sentidos, mas principalmente no que se refere à questão material e sabemos que a escola pública é o local onde a população mais vulnerável se encontra. As estatísticas têm apontado que essa população é a mais atingida pelo novo corona vírus. Mulheres, pretos e pobres são os mais afetados pelo COVID-19 no Brasil, segundo o IBGE. Se é essa população que frequenta as escolas públicas brasileiras, então, será ela que correrá maior risco de ser infectada e de morrer. Se as políticas públicas sustentarem a ida dos estudantes para as escolas estarão para sempre assinando mais um capítulo triste da história do povo brasileiro o da necropedagogia.

Frente às exigências do sindicato amazonense de educação

a Seduc-AM informa que “adequações estão sendo feitas nas escolas” e contradiz a “ocorrência de aglomerações”.

Num momento de tanta urgência para evitarmos a perda de mais vidas eu te pergunto as adequações já não deveriam estar prontas? Falava-se tanto em novo normal, pra mim que já estou há 23 anos isso daí é só mais da mesma penúria que governo após governo a escola pública tem passado.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s