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Reflexões em tempos de igualdade.

13 jun

Em se tratando de seres humanos, qualquer atitude ou comportamento deve ser entendido como individual e particularizado.
Estudos e pesquisas tomam como média grupos e esquecem que o homem (cada um de nós) responde conforme fatores genéticos e psíquicos  que dependem do meio e das condições de interação do ser com este mesmo meio.
Instituem-se fórmulas na Educação sem levar em conta essa relação quase que simbiótica anteriormente apontada. Sem adaptações, propõem-se que um sistema de ensino que deu certo em países como França ou Espanha funcione cá nos trópicos.
Países europeus e asiáticos têm uma cultura letrada milenar, tradição que está incutida no inconsciente coletivo de sua população. Já o Brasil só conhece democratização e universalização do ensino a partir da Lei de Diretrizes e bases 9394/97.
Tal lei seguiu os moldes da Lei Áurea de 1888 que libertou os escravos sem lhes darem condições mínimas de tocarem suas vidas independentes de seus senhores. Muitos voltaram para as fazendas e tantos outros ficaram largados a própria sorte nos cortiços que se amontoaram nas cidades. Esses relegados, negros formaram a grande massa pobre e marginalizada da sociedade que se estende até os nossos dias.
E repetimos o que há mais de um século ocorreu com nossos estudantes, mas de uma maneira muito mais cruel. São dadas condições de permanência e acesso à Educação, porém sem estruturas físicas e humanas para tal.
As escolas antes de adotarem goela a baixo a progressão continuada deveriam ser convidadas a analisarem as necessidades de seus alunos. Deveriam estudar as características de seus grupos para poderem elaborar um plano de intervenção que fosse adequado às peculiaridades da comunidade na qual a escola está inserida.
Antes só havia o sistema tradicional de ensino que funcionava para um grupo elitizado, padronizado e consequentemente excludente. Hoje temos classes heterogêneas, com alunos em diversos níveis de aprendizagem, contudo, a maioria das escolas públicas da rede municipal e estadual de São Paulo, com raras exceções, continua adotando as mesmas condutas arcaicas das escolas tradicionalistas, elitistas e padronizadas do passado.
Uma questão fica bem clara no jogo de empurra empurra que tenta rotular vilões e mocinhos dentro do processo educacional, pois culpam professores, culpam a sociedade, o sistema educacional, os governantes, o país e toda a sua população. No entanto, se abrirmos bem os olhos, e agora me valho das palavras da corajosa professora Amanda Gurgel do Rio Grande do Norte: ” Educação nunca foi prioridade em nosso país.”
Em tempos idos ela serviu os interesses da classe burguesa nas escolas públicas e agora continua privilegiando os interesses da mesma classe só que nas escolas particulares.
Essa exclusão, mais do que explícita, perpetuou-se pois se permite que a grande população massa pobre termine o Ensino Médio com o mesmo nível do aluno que sai do primário. É uma dívida que o Brasil arrasta com força e da qual será difícil de se libertar.

Divisão da categoria docente é coisa que Marx explicaria muito bem.

8 maio

Quando o diálogo não acontece e se entra em uma luta, pode-se ter a certeza de que todos os envolvidos direta ou indiretamente sofrem. No caso da greve de professores, o impasse estabelecido nas negociações entre governo e sindicato extende a quantidade de dias parados, aumentando o desconto no salário dos docentes e atravancando o processo de ensino aprendizagem de alunos. Para aqueles que ficaram nas salas de aula tenho a profunda convicção de que os motivos pessoais suplantaram os da categoria. Lá dentro das classes e algumas quase vazias estão trabalhando sob que condições, eu me pergunto? E eu sei sob quais estão. Eu trabalho no magistério público e criativamente vou vivenciando a cada fim de jornada menos um dia letivo.
Se todos esses professores que não entraram em greve, por motivos pessoais, por acharem que a greve não é o meio de se conseguir melhorias na Educação, por não acreditarem no sindicato, ou por acharem que este não é o momento estratégico para tal, mas que de alguma forma se sentem explorados pelo governo se unissem para mudar a situação do grupo a qualidade de ensino já teria se elevado razoavelmente.
ImagemAgora se essa massa de docentes vai fazer coro aos poucos indiferentes, contradição educacional trabalhar para formar cidadãos críticos e ser um alienado, e a outros tantos que acreditam estar tudo correndo bem, só podemos chegar onde estamos: categoria dividida, nem há melhoria para alunos, nem para professores, sofrimento para todos os lados. É assim que as coisas funcionam quando não se há união.
No final das contas eu vou ficar sem salário, meia dúzia irá à reposição e se a negociação terminar com qualquer conquista para o magistério aquele que não levantou sequer o dedo vai compartilhar dos ganhos com a consciência tranquila. Eles sabem que alguns companheiros ralaram por ela.
Os combatentes cumprirão sua parte repondo legalmente os dias letivos parados, enquanto que aqueles que continuaram nas salas de aula sob qualquer circunstância curtem suas férias, pagas em 10x no cartão, e seus cursos planejados como se nada tivesse acontecido.
Na realidade o foco aqui não é na educação são os seres humanos e só posso reinterar a citação: os meus problemas estão resolvidos, mas pra você que fica, que se vire!

Educar pode ser divertido

28 maio

Uma estrutura doente onde agonizam alunos, professores, funcionários e direção. Problemas que se sobrepõem, infindáveis motivos de raiva angústia, apatia. E lá fora todo paternalismo assiste materialmente com leite, bolsa família, caderno, livro, mas abandona a própria sorte os filhos da pátria sem assistência humana necessária a formação emocional.

Resgate de cidadãos sem cidadania que se apegam a leis que os protegem, mas não cumprem com as obrigações que deveriam. Quem entra pode sair dilacerado e corrompido. Com feridas abertas que nunca cicatrizam. Se arrasta pelos corredores, endurece, amofina. Enquanto a sociedade aponta, culpa e sentencia ao fardo chamado de sacerdócio prisão para alguns libertação para outros.

Briga, bullying, bater, o caralho a quatro já às 7 horas da manhã. Reproduzem na sala de aula o que vivenciam 24 horas em casa. Ai, meu Deus! Clame a Jesus, a Buda, a Alá. Vá reclamar ao papa, ao bispo ou chame a polícia. Nem despacho pra Exu consegue abrir os caminhos.

Dizem por aí… Implode tudo e começa do 0!

Mas se tem gente que diz que isso aqui é um umbral, nós que nos consideramos “mais evoluídos” somos chefes dele e gerenciamos o caos.Desistir se ainda faltam 15 anos pra se aposentar? Ou melhor sair daqui e buscar outro lugar.

Se passamos a maior parte do nosso tempo atrás dos muros escolares é melhor que o que é divertido entre junto com a gente também. Educar pode ser divertido. Doce, bala, bombom, chocolate, violão, cantar, tocar, brincar de roda, pega pega, video game, computador, desenhar, pintar, Mettalica, Madona, Pet Shop Boys, Marisa Monte, Kid Abelha, Ivete Sangalo, histórias em quadrinhos, dança do ventre, poemas de Vinícius, , dançar, encenar, gatos, natureza, flores, dormir, amar, ajudar o próximo, Contos, crônicas, sexo, Caderno Cotidiano ou Ilustrada, Nickel Náusea, suco de limão, batom, mini saia, pão de leite, Mc Muffin Bacon, sorvete, bolo farofa, dominó, Dream on, E o vento levou…, Grease, baralho cigano, beijo na boca, abraços apertados…